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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ética para Baruch Spinoza


Breve Biografia
Baruch (Benedictus, em latim) Spinoza era de família judia de origem portuguesa. Seu pai era um comerciante abastado. Criado dentro do judaísmo, Baruch estudou a Bíblia Sagrada e o Talmude, o livro dos ensinamentos rabínicos. Entre os anos de 1654 e 1656, dirigiu os negócios de sua família, mas, em junho desse ano, foi acusado de heresia e excomungado, tendo de abandonar a comunidade judaica. Mudou-se, então, para Leyden e depois para Haia, onde passou a viver de seu trabalho como polidor de lentes.

Em 1633, Spinoza publicou "Princípios da Filosofia de Descartes", obra expositiva dirigida a um jovem discípulo. Certamente já trabalhava, nessa época, na sua "Ética", obra-prima que só seria publicada postumamente.
Em 1673, foi convidado pelo rei Luís II a permanecer na França, recebendo uma pensão. Uma cátedra para lecionar na Universidade de Heidelberg lhe foi oferecida e também recusada. Spinoza preferiu a independência para elaborar sua obra. Levou uma vida sóbria, limitada por sua saúde frágil.e faleceu em 1677, aos 44 anos. Em sua obra mais importante, "Ética", o filósofo demonstrou, à maneira dos geômetras, a inteligibilidade de Deus.  

Ética para Spinoza
Para Spinoza a felicidade  é central para a ética. Spinoza distingue entre alegria e felicidade, elabora uma ontologia da alegria e inscreve a felicidade humana no tema da metafísica. Na filosofia espinozista, não é mesmo possível, para o homem, fazer metafísica sem pensar a felicidade e a sua própria, enquanto meditante das coisas metafísicas. É que, em Spinosa, o pensamento do Mundo é inseparável de nossa ação ética, e é uma ação da própria Substância. A Ética de Spinoza  é uma ética da alegria.
Na Ética, Spinoza trata de muitos outros temas antes de se dedicar mais explicitamente ao que hoje entendemos por essa questão. O sentido das reflexões de natureza ética é pensado como subordinado à sua inserção em um quadro mais amplo, que envolve teses metafísicas acerca da realidade das coisas e de sua origem, bem como de todos os aspectos relevantes para a compreensão dos fundamentos mesmo da moralidade.

No caso particular da Ética de Spinoza, essa inserção ganha uma relevância ainda maior, pois esses conhecimentos são a realização mesma da liberdade e da felicidade humanas. Assim, a Ética não é, para o pensamento de Spinoza, uma parte de sua filosofia, mas toda ela. Tampouco é uma reflexão racional que pretenda tão somente obter a ciência das condições da vida prática humana, das nossas virtudes e das nossas fraquezas, devidamente justificada no âmbito de uma teoria mais geral sobre o ser e o conhecer..

Cabe ainda ressaltar, a esse respeito, a força e a importância da reflexão spinozista sobre a política. Inicialmente concebida como parte da reflexão sobre as condições que determinam nossa servidão e que, nessa medida, devem ser conhecidas para que delas nos liberemos, o tratamento da sociabilidade e dos fundamentos da vida civil são objeto de algumas poucas proposições da quarta parte da Ética. No entanto, Spinoza passa a dedicar-se mais diretamente a esse tema motivado, pois estava engajado e preocupado com o rumo dos acontecimentos políticos da Holanda, Spinoza para a redação da Ética e escreve o Tratado teológico-político, um extraordinário libelo em favor da liberdade religiosa e de expressão, apoiado em uma interpretação da Bíblia marcada pelo recurso a um método exegético racionalmente justificado.
Para Spinoza o mundo não tem finalidade alguma (pelo menos que nós saibamos). A maneira de analisarmos os acontecimentos, a história, a natureza, sempre de acordo com alguma finalidade, é próprio dos homens, quando estes enxergam tudo sob a forma empírica do conhecimento. Sob a perspectiva sub specie aeternitats não há teleologia alguma por trás das coisas; elas apenas são. Conseqüentemente também não existe o perfeito e o imperfeito, o bem e o mal. Tais conceitos são apenas comparações que o homem faz entre o objeto que produz e outros na natureza (quando na verdade é tudo parte da natureza). Da mesma forma, bem e mal não são coisas em si, mas modos de pensar; o bem sendo o que é útil e o mal o que não é.

O homem que entende todas as coisas, acontecimentos e situações como procedentes de Deus (como seus modos e atributos), sabe que elas são Deus e ele mesmo é Deus (ou está em Deus). Retomando então suas raízes socráticas e estóicas, Spinoza afirma que a verdadeira bem-aventurança não é o prêmio da virtude, mas a virtude em si.
Eis um breve resumo da ética de Spinoza

Fontes
consciencia.org
joaquimdecarvalho.org
pensador.uol.com.br

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ética para Leibniz

Gottfried Wilhem Leibniz

Gottfried Wilhem Leibniz,  em seu tratamento filosófico da ética,  inaugura a ideia da “ necessidade moral  na qual  o sábio escolhe o melhor, e na qual todos os outros seguem a inclinação maior”.

 O sábio age livremente, de acordo com uma “necessidade moral”. 
O oposto de sua ação é sempre possível. Escolher no caso o mal. Ele expõe o  princípio de razão suficiente. A explicação sobre um fato ocorrer de uma forma e não de outra decorre de um conhecimento acerca de Deus e do maior grau de perfeição.
Dessa forma, com a ideia de mundos possíveis, Leibniz logra afastar a ideia de uma espécie de “necessitarismo”. 

Afinal, como Deus teve diante de si a possibilidade de escolher um dentre infinitos mundos possíveis, é sempre possível pensar um mundo em que não estamos fazendo o que estamos fazendo em um dado momento. 
Noutros termos, esse mundo não é necessário porque seria possível (logicamente, mas não moralmente) que Ele houvesse criado outro. Por isso, parece-nos apropriado falarmos em “possibilismo” aqui. Esse possibilismo assegura o compatibilismo entre liberdade e determinação.
 Tanto Deus quanto os sábios são livres, pois agem moralmente, consoante uma “necessidade moral”. 
Cabe notar ainda que essa ideia de necessidade moral carrega consigo a ideia de “obrigação da razão”. 
Logo, a necessidade moral está sempre fundada na razão, na parte de nossa natureza que deve comandar .
A necessidade moral reside nessa causalidade teleológica, a qual não é cega e está fundada em razões. Esse é o locus da ação moral e da liberdade.



Gottfried Wilhem Leibniz


Gottfried Leibniz (1646-1716) foi um filósofo e matemático alemão. Estudioso do cálculo integral e do cálculo binário, que seria futuramente importante para o estabelecimento dos programas de computadores. Também foi criador da teoria das Mônadas. É considerado uma das mentes mais brilhantes da história.
Gottfried Wilhelm Leibniz nasceu em Leipzig. Ficou órfão de pai cedo e foi criado pela mãe, que lhe transmitiu rígidos valores religiosos. Entrou na escola Nicolau com apenas sete anos. Estudou latim e grego e adquiriu conhecimento de forma autodidata. Aos 14 anos, entrou precocemente na Universidade de Leipzig e graduou-se em filosofia com a tese “Meditação sobre o princípio da individuação”, onde apresentou o conceito de “mônadas”, unidades primárias o universo. Em 1663, recebeu o grau de mestre em filosofia. Em 1666, publicou sua tese “Dissertação sobre a arte combinatória”. Na Universidade de Altdorf, recebeu o doutorado em Direito.
Leibniz participou da Sociedade Alquímica de Nuremberg, quando conheceu o Barão Johann Christian von Boineburg.
Dedicou-se a trabalhar com diplomacia, tendo como objetivo de estabelecer a paz interna entre o Sacro Império Romano Germânico. Esboçou uma idéia que se baseava na junção entre o catolicismo e protestantismo para apaziguar os conflitos existentes na época.
Em Londres, participou da Royal Society e foi eleito membro depois de exibir a sua invenção, a máquina de calcular. Desenvolveu o teorema fundamental do cálculo, publicado em 1677 e devidamente aplicada na Europa, embora Newton já tivesse estudos não publicados sobre o assunto.
Leibniz publicou outras obras importantes como “Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano” (redigidos em 1714 e publicados em 1765) e “Monadologia e Princípios da Natureza Humana” (1714).
Morreu solitário, vítima de uma crise de gota, longe da aristocracia, onde viveu boa parte da vida.


Fonte
www.e-biografias.net

Resumo história da ética

 A Ética Antiga foi desenvolvida, sobretudo, por Platão e Aristóteles. 

Pode-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, em três aspectos:
1) o agir em conformidade com a razão;
 2) o agir em conformidade com a Natureza e com o caráter natural de cada indivíduos;
3) a união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e política (valores da sociedade).
A ética era uma maneira de educar o sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.


A Ética Medieval , com expoentes máximos em S. Tomás de Aquino e Santo Agostinho,  define a ética a partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros.
Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino

Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade (amor). Através do cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio, sendo  que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem e o mal.

O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a  estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral.


A Ética Moderna teve como contexto as revoluções religiosas, por meio de Lutero; científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, em seu chamado Racionalismo Cartesiano - a razão é o caminho para a verdade, e para chegar a ela é preciso um discernimento, um método. 

Em oposição à fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e comparar. A formação ciência moderna com Galileu e Newton - provocam o  desenvolvimento da ética naturalista.

Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. Não podemos ser
escravos do desejo. Para isso devemos agir conforme o Imperativo Categórico, ou seja, o ato moral deve concordar com a vontade e com as leis universais que ela dá a si mesma:

Hegel
Friedrich Hegel  apresenta a perspectiva Homem - Cultura e História, sendo que a ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva individual e a vontade objetiva cultural”.


A Ética contemporânea possui duas principais correntes de pensamento.   Ética Praxista, o homem tem a capacidade de julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem possui uma consciência totalmente livre.  Por isso, a ética ganha um dimensionamento político  uma ação eticamente boa é politicamente boa, e contribui para o aumento da justiça, distribuição igualitária do poder entre os homens. 
Nietzsche

Nietzsche, por outro lado, atribui a origem dos valores éticos, não à razão, mas a emoção. Para ele, o homem forte é aquele que não reprime seus impulsos e desejos, que não se submete a moral demagógica e repressora. E para coroar essa mudança radical de conceitos, surge Freud com a descoberta do inconsciente, instância psíquica que controla o homem, burlando sua consciência para trazer à tona a sexualidade represada e que o neurotiza.  Essa seria uma ética Naturalista ou Essencialista.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Axiologia



A Axiologia é uma área da Filosofia que estuda os valores Humanos que são valores Éticos, Morais, Estéticos, Materiais, Políticos, Econômicos, Vitais, Lógicos, Religiosos, de Utilidade e assim por diante.                                                                                         
No Século XIX surgiu a Axiologia como disciplina filosófica, desde então o termo “Valor” vem sendo discutido sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, pois os valores estão relacionados a todas as nossas ações.                                                        
Valor é o que dá dignidade ao ser. Filosoficamente Valor é a interpretação introduzida por nós nas coisas, nas relações entre os homens e destes com o mundo. O valor então, com base no que é, orienta o que deve ser, isso é, orienta o juízo das escolhas humanas. Para simplificar podemos entender o Valor como  um princípio geral e universal que serve de guia para o agir e pensar do homem no mundo.
O valor está presente no homem, nas atividades humanas e no mundo humano, é o princípio norteador das escolhas humanas (os fins), o desejável, o preferível. É guia, norma das escolhas, por isso carece da consciência e da liberdade, porque só o sujeito consciente e livre é capaz de fazer escolhas. Escolhas sempre temerárias, mas necessárias.                                                                                                                
Os valores são herdados, transferidos através da nossa família, passados de geração em geração, também adquirimos valores através do convívio, do contato com outras pessoas, de outras sociedades.                    
                                                          
  Estamos sempre fazendo Juízo de Valores, isso é, estamos sempre julgando através do parâmetro que nós temos, que nós herdamos através da nossa família, nossa cultura e sendo assim julgamos os valores dos outros, se está certo ou errado, se é bom ou ruim, etc. Existem quatro tipos de valores relacionados a sua natureza (Origem): Subjetivos (Pessoal, valor de um só indivíduo) ou Universais (Geral, valor da sociedade) e Relativos (Aplica-se a uma situação) ou Absoluto (Aplica-se a todas as situações).    

 Os valores se organizam na seguinte escala de importância:                      
 ÉTICO é o juízo sobre o bem e o mal, diz daquilo que é Vital (Vida).             
 MORAL é a ação normativa do comportamento, costumes, hábitos, normas e leis. Diz do Convívio Humano em sociedade.                        
 MATERIAL é o juízo sobre o que é necessário para a sobrevivência humana.
RELIGIOSO é o juízo  sobre o que é bom para o espírito e diz das coisas da alma.    
ESTÉTICO, que opera um  juízo  sobre o belo e o feio e diz das coisas do mundo sensível, da Natureza.          
De UTILIDADE se refere ao juízo do que é melhor e pior e diz das coisas e dos objetos.                                                                                                                POLÍTICOS são Justiça, Igualdade, Imparcialidade, Cidadania, Liberdade.

                                                                                 


Principais Representantes

No Século XIX os filósofos Rudolf Lotze (1817-1881), Franz Brentano (1838-1917), Max Scheler (1874-1928) e Friederich Nietzsche (1844-1900) desenvolveram e propuseram a “Transvaloração dos Valores”, pela qual indaga sobre o “Valor dos Valores”, concluindo que os valores tais como são conhecidos, não existiram desde sempre, mas foram criados e incorporados pelo hábito e, na nossa civilização ocidental, impostos pela tradição cristã, que Friederich Nietzsche critica acerbamente.

Max Scheler (1874-1928): Os valores são objetivos e dispostos em ordem eterna o que torna possível hierarquiza-los. Deste modo, juízo (faculdade de julgar de avaliar, faculdade de pensar o particular como inserido no geral), é então, um julgamento crítico sobre as escolhas humanas, uma reflexão propositiva das relações existentes entre meios e fins de nossa ação no mundo.

García Morente (1886-1942): Os valores não são, no sentido em que dizemos que as coisas são: “Os valores não são, mas valem. Uma coisa é valor e outra coisa é ser. Quando dizemos de algo que vale, não dizemos nada do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não indiferença constitui esta variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. A não indiferença é a essência do valer”. Portanto, não permanecemos indiferentes dos seres que constituem o nosso mundo familiar ou aquele que nos é estranho, aos quais atribuímos valores Bipolarizados.

Fontes

www.filosofiapopular.com

www.debatesculturais.com


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ética em Kant



Immanuel Kant desenvolve a filosofia moral em três obras: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Julgamento (1790).

Kant em  “Crítica da Razão Pura” separa a ciência da ação. O conhecimento se constrói a partir do fenômeno que alia a intuição sensível ao conceito do intelecto.
Portanto, o uso da razão pura não tem utilidade teórica em Kant, mas apenas o seu uso prático, donde o seu livro “Crítica da Razão Prática”.

Assim como a primeira Crítica estabeleceu criticamente os princípios sintéticos a priori da razão teórica, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes(1785) estabelece criticamente os princípios sintéticos a priori da razão prática.

Na moral, o ponto de partida de Kant é o de que o único bem irrestrito é uma vontade boa. Talento, carácter, autodomínio e fortuna podem ser usados para alcançar maus fins; até mesmo a felicidade pode corromper. O que constitui o bem de uma vontade boa não é o que esta alcança; a vontade boa é um bem em si e por si.



O IMPERATIVO CATEGÓRICO

O famoso axioma de Kant é claro em sua definição.
"Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal".

O IMPERATIVO CATEGÓRICO, EM TERMOS GERAIS, É UMA OBRIGAÇÃO INCONDICIONAL, OU UMA OBRIGAÇÃO QUE TEMOS INDEPENDENTEMENTE DA NOSSA VONTADE OU DESEJOS

As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico. O imperativo categórico pode ser formulado em três formas, que ele acreditava serem mais ou menos equivalentes .

§ A primeira formulação (a fórmula da lei universal) diz: "Age somente em concordância com aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo querer que ela venha a se tornar uma lei universal".

§ A segunda fórmula (a fórmula da humanidade) diz: "Age por forma a que uses a humanidade, quer na tua pessoa como de qualquer outra, sempre ao mesmo tempo como fim, nunca meramente como meio".

§ A segunda fórmula  Legislador Universal "Age de tal maneira que tua vontade possa encarar a si mesma, ao mesmo tempo, como um legislador universal através de suas máximas." 



Fundamentação da Metafísica dos Costumes

Na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant divide os três capítulos de acordo com o método utilizado.  
A Primeira Seção – Transição do conhecimento racional comum para o conhecimento filosófico – tem como objeto o conhecimento moral comum, isto é, o conceito de dever.
 A Segunda Seção -Transição da filosofia moral popular à metafísica dos costumes- retraça o conceito de dever em seu fundamento a priori. Apesar das duas seções abarcarem o mesmo conceito, há uma diferença entre ambas devido ao percurso argumentativo.

No Prefácio da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant lança algumas indicações que se referem aos procedimentos de análise utilizados na obra.

A primeira indicação diz do ponto de partida de sua investigação, que é o conhecimento moral comum – identificado ao conceito de dever.

A segunda indicação diz do objetivo geral da obra, que é buscar e estabelecer o princípio supremo da moralidade.
A terceira indicação diz do método seguido pelo autor: ascender analiticamente do conhecimento moral comum ao seu princípio, para depois voltar sinteticamente do princípio supremo da moralidade ao conhecimento comum.
A quarta indicação é a divisão da obra – obtida através da aplicação desse método.


O conhecimento racional comum é tomado como o ponto de partida da filosofia moral. Este conhecimento racional comum pode ser identificado ao “conceito dado” – isto é, uma compreensão pré-filosófica – de moralidade.   Presume-se, pois, que deva haver algo em comum entre esses diferentes códigos morais para que todas as concepções possam ser tomadas como concepções morais. Por isso Kant visa determinar qual é o significado básico do predicado “moral”. No Prefácio, “conhecimento moral comum” e a “ideia comum do dever e das leis morais” são identificados.

A segunda indicação acerca do procedimento realizado por Kant é a caracterização do objetivo da obra como buscar e estabelecer o princípio supremo da moralidade. Este princípio pode ser denominado “supremo” por regular o uso do conceito de moralidade em geral. Assim, o princípio se sobrepõe aos princípios morais particulares.  

A terceira indicação que Kant fornece acerca do procedimento realizado é sobre o método seguido na obra: “o método consiste em ascender analiticamente do conhecimento moral comum (que se exprime nos juízos morais particulares) ao seu princípio (portanto ao princípio dos juízos morais comuns), para retornar em seguida sinteticamente desse princípio ao conhecimento moral comum (isto é, aos juízos morais que se pautam por esse princípio)”
 Kant utiliza-se de dois métodos: o método analítico – procede de modo regressivo por ir do conhecimento moral comum até a determinação do princípio desse saber – e o método sintético – o qual parte do saber filosófico para aplicar o princípio aos casos particulares. Deve-se ter em mente que o método analítico é utilizado nas duas primeiras seções da obra, enquanto o método sintético é utilizado na última seção.
No caso do método analítico, como aquele que parte do que é procurado como se fosse dado e que ascende de modo que alcança as condições sob as quais o que é procurado se faz possível, supõe-se que a existência dos juízos sintéticos a priori é dada. As condições que possibilitam esses juízos – até as quais se ascende de modo regressivo – são: a forma espaço-temporal das intuições sensíveis e a forma categorial dos conceitos dos objetos em geral.
O método sintético é de suma importância para o método analítico, já que para que este seja considerado um método que prova a possibilidade do juízo sintético a priori – o que se busca – faz-se necessário que as condições já tenham sido estabelecidas. Estas condições só são estabelecidas através do método sintético – ou progressivo.
Fica mais clara a aplicação de ambos os métodos na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, pois nela supõe-se como dado a possibilidade de se fazer juízos morais de acordo com o conhecimento moral comum. Ao partir dos juízos morais que são pensados de acordo com a compreensão comum do conceito de moralidade, pode-se ascender (se a análise for correta) ao princípio que embasa esses juízos morais.


Divisão da obra

Quanto à divisão da obra, Kant afirma que é resultado da aplicação de seu método analítico-sintético. A aplicação do método sintético faz-se necessária para estabelecer o princípio supremo dos juízos comuns e este é o objetivo principal da obra. Todavia, esse objetivo requer um exame crítico e uma prova da validade deste princípio. A aplicação deste método sintético centra-se mais na Terceira Seção da obra, na qual se dá a passagem para a crítica da razão pura prática.

Todavia, antes de aplicar o método sintético para chegar à dedução do princípio fundamental dos juízos morais, Kant desdobra sua exposição do conceito dado de moralidade em duas partes: a primeira parte visa explicar conceitualmente o princípio que está subjacente à aplicação do conceito de moralidade embasando-se na compreensão pré-filosófica deste conceito; a segunda parte é composta pelas respostas às oposições filosóficas possíveis quanto à análise feita. Isto aponta para mais uma diferença entre a Primeira e Segunda Seções.
O título da Segunda Seção Transição da filosofia popular à metafísica moral, diz da filosofia popular como exemplos das objeções que outros filósofos poderiam fazer à análise de Kant acerca do conceito dado de moralidade. Essas oposições associam-se à noção da natureza da vontade humana como dependente de estímulos sensíveis, a qual é contrária ao princípio prático puro kantiano afirmado como subjacente aos juízos morais comuns.

Como ponto de partida dessa retomada são objeções levantadas por contemporâneos de Kant, representantes da chamada “filosofia popular”, e como ela resulta numa exposição que se pode chamar de metafísica, do princípio a priori que subjaz aos juízos morais em geral, é compreensível que Kant tenha caracterizado a segunda parte da Fundamentação como uma transição da “filosofia popular” à “metafísica moral”

Como já foi exposto, o ponto de partida da argumentação kantiana é o conhecimento moral comum – que pode ser identificado à compreensão do conceito dado de moralidade. Todavia, como expõe Almeida, o que constitui efetivamente o ponto de partida da Primeira Seção é o conceito de boa vontade – que designa a vontade moralmente boa, irrestritamente boa.

O que é moralmente bom, por sua vez, precisa ser definido como algo que é bom sem depender de qualquer condição subjetiva particular. Esta definição pode ser atribuída a todo sujeito capaz de julgar o que é bom e capaz de fazer a distinção entre o moralmente bom, útil e agradável.
A Primeira Seção abarca a passagem do conhecimento racional comum acerca da moralidade ao conhecimento filosófico. Kant tem como objetivo delimitar o princípio supremo da moralidade através de análise, de modo que fique exposto como esse princípio supremo se apresenta em toda consciência humana.
Destarte, dado que o ponto de partida da Primeira Seção é a suposição de que somente a vontade moralmente boa pode ser considerada irrestritamente boa, Kant visa estabelecer, de modo regressivo, a condição conforme a qual a vontade é moralmente boa, ou seja, o princípio que quando cumprido, assegura a moralidade das ações do homem. Três proposições embasam a derivação desse princípio. Estas proposições são derivadas do conceito do que é moralmente bom e da consideração de que quando a vontade é afetada por inclinações, não se faz suficiente saber que algo é bom para fazer, posto que o que é moralmente bom é considerado como um dever.
A primeira proposição expõe que ter uma boa vontade significa agir por dever, não por inclinação. A segunda proposição afirma que o que confere valor moral à ação é o princípio de agir por dever – agir sem visar as consequências ou os fins- é a intenção. A terceira proposição afirma que o dever é uma ação necessária por respeito à lei moral. Dessas proposições chega-se ao Imperativo Categórico: “agir de tal maneira que eu possa querer que a máxima de minha ação se torne uma lei universal” (KANT, 1962, p. 62).

 A "moralidade, e a humanidade enquanto capaz de moralidade, são as únicas coisas que têm dignidade. A destreza e a diligência no trabalho têm um preço venal; a argúcia de espírito, a imaginação viva e as fantasias têm um preço de sentimento; pelo contrário, a lealdade nas promessas, o bem querer fundado em princípios (e não no instinto) têm um valor intrínseco."


Esta é em essência a ética de Kant.


Fonte
www.psicologiamsn.com
www.brasilescola.com
criticanarede.com

afilosofiadaintegracao.blogspot.com.br

Mapa Conceitual da Ética


Fonte:
http://etica-global.blogspot.com.br/


A Ética



A ética é uma das três grandes áreas da filosofia. As outras são a Epistemologia – que estuda o que , como e a forma com o aprendemos   e a Estética, ou filosofia da arte que lida com o senso de beleza nas  manifestações artísticas e naturais.

A Ética estuda  sobre o "valor"  das ações, ou seja a práxis - o estudo sobre a ação engloba a totalidade do saber e da cultura humana. Engloba os conceitos de dever e direito, certo e errado, moral e imoral. Está presente no nosso cotidiano o tempo todo, seja nas decisões familiares, políticas, ou no trabalho por exemplo.

  A palavra ética tem origem no termo grego ethos, que significava "bom costume", "costume superior", ou "portador de caráter". Em Roma o termo grego foi traduzido como "mor-morus" que também significava "costume mor" ou "costume superior". É dessa tradução latina que surge a palavra "moral" em português. O termo ética abrange o estudo dos discursos morais, bem como os critérios de escolha para valorar e padronizar as condutas numa família, empresa ou sociedade.

  A definição da  práxis ética, moral, correta ou virtuosa é alvo de pontos de vista totalmente diversos. Teólogos, Marxistas, liberais, mulçumanos, psicanalistas, jornalistas e políticos se posicionam de diversas maneiras.

A filosofia sobre isto tem muito a dizer. Vamos analisar alguns pontos de vista em nossos próximos posts.