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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Górgias

Górgias de Leontini (480 a 375 AC) Nascido na Sicília foi para Atenas na qualidade de embaixador. Ensinou a arte da retórica em vários locais. 

Primeiramente professou a doutrina eleática mas depois assumiu o ascetismo que levou até o extremo em três teses: 1º que nada existe, 2º que ainda que existisse, não poderia ser conhecido e 3º que ainda que existisse e pudesse ser conhecido não poderia ser comunicado aos demais.

Górgias, com essas três negações foi muito além de um vulgar ascetismo proclamando um desconcertante niilismo. Seu sentido seria o seguinte: são tantas as antinomias que se seguem à admissão do ser que o mais lógico é dizer que nada existe.
 Górgias obrigava seus discípulos a aprender de cor passagens típicas de literatura e imitá-las.
Posteriormente Górgias viajou pela Grécia fazendo preleções, e terminou sua longa vida em Larissa. Seu sobrinho-neto mandou erigir-lhe uma estátua em Olímpia, cujo pedestal ainda subsiste com a respectiva inscrição.

Górgias para fundamentar sua filosofia toma por base o niilismo, a descrença por razão principal, onde nada existe de absoluto, onde não existem verdades morais e nem hierarquia de valores. A verdade não existe, qualquer saber é impossível e tudo é falso porque é ilusório.

Seu niilismo baseias-se em três tópicos, primeiro na não existência do ser, existe somente o nada. O ser não é uno, não é múltiplo, nem incriado e nem gerado, por conseguinte o ser é nada. Segundo, mesmo que o ser existisse ele não poderia ser conhecido pois se podemos pensar em coisas que não existem é porque existe uma separação entre o que pensamos e o ser, o que impossibilita o seu conhecimento. E terceiro, mesmo que pudéssemos pensar e conhecer o ser nós não poderíamos expressar como ele é porque as palavras não conseguem transmitir com veracidade nada que não seja ela mesma. Quando comunicamos, comunicamos palavras e não o ser.

O filósofo destrói dessa forma a possibilidade de alcançarmos a verdade absoluta. Nossa razão somente pode iluminar as situações em que os homens vivem mas não tem a capacidade de formular regras absolutas. Podemos somente analisar a condição em que nos encontramos e expor o que devemos ou não fazer e mesmo o que devemos ou não fazer muda muito dependendo da situação em que nos encontramos. Uma mesma atividade pode ser boa ou ruim dependendo de quem a pratica e em que situação se encontra.

Como não existe uma verdade absoluta e a falsidade está em tudo as palavras assumem uma autonomia quase sem limites pois estão desligadas do ser. As palavras são independentes e estão disponíveis para os mais diversos usos. Um dos principais usos é a retórica que utiliza a palavra para sugerir, para fazer crer e para persuadir os cidadãos. A retórica tem assim grande utilidade para a política. As palavras têm também grande expressão na poesia que diferente da retórica não tem interesses práticos, mas artísticos. Frente ao drama da vida a única consolação é a palavra que adquire valor próprio porque não exprime a verdade mas a aparência. A palavra cia um mundo perfeito onde é belo viver. A palavra exprime da melhor forma as paixões que direcionam a vida dos homens.
 

Entre a série de discursos proferidos por Górgias havia um pronunciado em Olímpia, pregando veementemente a união das cidades gregas contra a Pérsia. Parte de uma oração fúnebre é o único fragmento importante de sua obra que se conserva.
Sua influência na prosa ática evidencia-se nos discursos constantes da obra de Tucídides, em Antífon e, principalmente, nas orações de Isócrates.

Frases:
- Assim como a visão não conhece os sons, o ouvido não ouve as cores, mas os sons. Quem fala expressa bem um som, mas não pode falando expressar uma cor ou uma experiência.
- A poesia é um discurso com métrica e quem a escuta é invadido por um arrepio de estupor, uma compaixão que arranca lágrimas, um ardente desejo de dor e pelo efeito das palavras a alma sofre seu próprio sofrimento ao ouvir a sorte ou o azar de fatos e pessoas estranhas.
- Se é eterno não teve princípio, se não tem princípio é infinito, se é infinito não está em nenhum lugar, se não está em nenhum lugar não existe.
- Mesmo que as coisas sejam elas não são conhecíveis.

- O artista é um criador de mundos.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Pródicus

 Pródicus, ou Pródico, era um sofista e retórico de Iulis na ilha de Ceos. Ele foi contemporâneo de Demócrito e Górgias, e foi discípulo de Protágoras.

Em suas palestras sobre o estilo literário colocou pressão sobre o uso correto das palavras e da discriminação precisa entre sinônimos. Platão frequentemente satiriza-lo como professor pedante sobre as sutilezas da linguagem. Platão também insinua que a perspectiva de riqueza solicitado  Pródico para abrir sua escola, e de fato suas palestras parecem ter lhe trouxe muito dinheiro. Philostratus também observa que  Pródico gostava de dinheiro. Ele costumava ir de uma cidade para outra exibindo sua eloquência, e, embora ele o fez de uma forma mercenário, ele, no entanto, tinha grandes honras que lhe foram pagos em Tebas e Lacedaemon.
Seu custo para um aluno era de cinquenta dracmas. Aristófanes, no entanto, descreve-o como o mais notável dos filósofos naturais para a sabedoria e caráter.
Relata-se que as pessoas se reuniram para ouvir  Pródico, embora ele tinha uma voz que soa desagradável. Ele também relatou que Xenofonte, quando um prisioneiro na Beócia, desejando ouvir  Pródico, surgiu com a fiança exigida e fui gratificado e sua curiosidade ( Philostr. lc ). Nenhuma de suas palestras veio até nós em sua forma original. Sua obra mais famosa é  a escolha de Hércules , e era frequentemente citado. O original está perdido, mas a substância de que é na de Xenofonte  Memorabilia(2:01:21).

Nas suas obras, a imagem que Platão transmite de Pródico é a de um professor infeliz, sofrendo de grandes dores, deitado na sua cama, embrulhado em peles de ovelha e cobertores.
Sábio e hábil na arte de falar, foi enviado para Atenas como embaixador de Iulis.
Era conhecido, principalmente, pelo seu conhecimento no campo da sinonímia. Deu aulas e conferências, não só em Atenas, mas também em outras cidades gregas e foi com esta actividade que ganhou grandes quantias de dinheiro.
As suas lições eram bastante caras   e o próprio Sócrates não teve recursos para frequentar a conferência de cinquenta dracmas sobre a correção dos nomes, mas só para um curso de uma dracma ( ).. O seu sucesso em Atenas levou-o a pensar em abrir uma escola de retórica nesta cidade.

 Pródico foi condenado à morte pelos atenienses sob a acusação de corromper a juventude. Sexto Empírico o coloca entre os ateus, e Cícero observa que algumas de suas doutrinas eram subversivas de todas as religiões. Diz-se que ele explicou a origem da religião pela personificação de objetos naturais.

 Crê-se que Pródico foi discípulo de Protágoras e mestre de Teramenes, Eurípedes e Tucídides.

Pelo que podemos constatar em Protágoras, Pródico é o sofista mais "poupado" por Sócrates. Isto talvez se deva ao facto de este ter sido discípulo de Pródico, no entanto, nem este escapa à sátira de Sócrates. No livro Cratilus, Sócrates diverte-se afirmando que se tivesse tido cinquenta dracmas, hoje seria também um grande perito na correção das palavras, mas como não possuía essa quantia teve que se contentar com a sabedoria de um dracma. Desta forma, Sócrates critica os sofistas por cobrarem dinheiro pelos seus ensinamentos.

Apesar de os ensinamentos de Pródico incluírem distinções semânticas entre termos semelhantes, Sócrates afirma que ele ficou acomodado ao seu conhecimento. Sócrates compara-o a um orador que quando pensa que já aprendeu os preliminares da retórica, julga que já descobriu tudo e que, ao ensinar, está a transmitir aos outros toda a arte da retórica.

Pródico é ainda referido num outro diálogo de Platão - Erixias. Neste diálogo Pródico afirma que a riqueza é, como tudo o resto, uma benção para os homens de bem que sabem utiliza-la, mas é uma maldição para os ignorantes e para os maus. Se Pródico disse realmente isto, ele estaria em perfeita harmonia com Sócrates.

No que respeita às suas obras, para além das Epideixeis, produziu uma grande obra - As estações (Horai). Não existem registos da existência de trabalhos na área da sinonímia, estes estudos encontram-se incluídos nas obras filosóficas de Pródico.

Era um sofista em toda a extensão da palavra, uma vez que ensinava a arte do sucesso na política e na vida privada.
A definição de sofista, segundo Pródico, é de um intermediário entre o filósofo e o político. Por isso, dedicava-se à formação das pessoas que pretendiam dedicar-se ativamente aos assuntos políticos, e os seus ouvintes deviam ser ou democratas ou aristocratas que aceitavam fazer o jogo da democracia e adaptar-se às suas regras.
Existem poucos fragmentos das suas obras, mas assume-se que foi autor “Da Natureza do Homem”, “Da Natureza”, “Horai”que se pode traduzir “Horas”. “A escolha de Héracles”, segundo alguns estudiosos fez parte das “Horas”, o original perdeu-se mas a sua essência encontra-se na “Memorabilia (2:1:21)” de Xenofonte, esta obra descreve que o jovem Héracles que estava prestes a entrar na vida adulta, quando encontra duas mulheres, uma chamada de Felicidade (Eudaimonia), ou Vicio (Kakia), que descreve uma estrada fácil de prazer interminável na vida; e a outra chamada de Virtude (Aretè), que descreve uma longa estrada de trabalho forçado, em que o homem deve alcançar o que ele deseja devido aos seus esforços e assim ser recompensado pelos deuses com a vida depois da morte.
Platão frequentemente satirizou-o como um conferencista pedante nas subtilezas da linguagem que ia de cidade em cidade exibindo a sua eloquência e exigindo altas somas de dinheiro pelos seus ensinamentos. Isto não o impediu de obter grandes honras. Aristófanes, descreve-o como sendo um notável filósofo com grande sabedoria e carácter. Xenofonte (Philostr. l. c.) também descreve que quando um prisioneiro em “Boeotia” que desejava ouvir Pródico, foi o próprio Pródico que lhe pagou a fiança e que respondeu às suas questões.
Para Pródico a religião era a personificação dos objectos naturais que eram necessários ao Homem. Como o caso do Sol, a Lua, os rios, colheitas, o pão foi personificado pela deusa Deméter, a água pelo deus Poseídon, o fogo pelo deus Hefesto, e assim sucessivamente para os outros deuses.
As observações de Cícero indicam que algumas das suas doutrinas eram subversivas para religião.

Pródico foi condenado à morte pelos atenienses, pela acusação de ter corromper os jovens. “Sextus Empiricus” (Mat. IX, 18) classifica-o de ateu.

Fontes

www.educ.fc.ul.pt
www.portaleducacao.com.br
rrsantana.blogspot.com.br
filosofiadodireito.info

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pré-socráticos


Entre os séculos 6 e 7 antes da era cristã,  ideias filosóficas plenamente articuladas e sistemas de pensamento começaram a aparecer em vários lugares esparsos do globo.
Em torno do Mediterrâneo e no Oriente Médio, na Índia e na China, surgiram filósofos, grandes filósofos cujas ideias iriam estabelecer os termos da filosofia em suas várias tradições por milênios no futuro. No Oriente Médio, os antigos hebreus desenvolveram sua concepção de um Deus uno. Na China, os taoístas desenvolveram uma visão muito diferente da natureza, enquanto Confúcio criava uma poderosa concepção da sociedade e do indivíduo virtuoso que rege o pensamento chinês até hoje.
Na Índia antiga, os primeiros teóricos hindus (os vedistas) comentavam a origem da natureza e do mundo, tal como descrita nos Vedas, e especulavam sobre ela, criando um rico panteão de deuses, deusas e ideias grandiosas.
O pensamento filosófico surge na Grécia, por volta do século VI a.C., quando surgem as primeiras tentativas de explicação natural (e não sobrenatural) para os fenômenos da natureza. De fato, isso foi uma coisa nova e um dos momentos essenciais ao desenvolvimento humano, que deram um enorme impulso ao nosso conhecimento. Na Grécia, filósofos elaboraram as primeiras teorias científicas da natureza.

Os primeiros filósofos gregos
 Os primeiros filósofos gregos tentaram entender o mundo com o uso da razão, sem recorrer à religião, à revelação, à autoridade ou à tradição. Além disso, também eram professores que ensinavam seus discípulos a usar a razão e a pensar por si mesmos. Eles os encorajavam a discutir, argumentar, debater e propor ideias próprias.
Tendo vivido entre o século 6 a.C e princípios do século 5 a.C., esses filósofos mais antigos, dos quais poucos conhecimentos foram conservados através dos tempos, são chamados de pré-socráticos, por que antecederam Sócrates, o primeiro filósofo cujo método de pensar, bastante sistemático, foi efetivamente preservado para a posteridade.
Não se pode, porém, deixar de examinar, ainda que brevemente, o pensamento dos pré-socráticos. Ainda que só nos restem fragmentos de suas ideias, elas são surpreendentes. E não só por constituírem uma grande novidade para a época em que elas foram formuladas, mas também porque muitas delas ou conservam grande atualidade ou encontraram ressonância em filósofos de milênios posteriores, inclusive nossos contemporâneos.
Existiram divisões no Período Pré-Socrático da filosofia Grega.
A Escola Jônica 
A Escola Eleática



Tales de Mileto
Anaximandro
Anaxímenes

Heráclito
Pitágoras
Parmênides
Xenófanes de Colófon                       


Zenão de Eléia

Empédocles

Anaxágoras

Melisso


Leucipo
Demócrito

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Demócrito

Demócrito ensinou que, se ele pegasse uma pedra ou algum material e esmagasse-o até que ele não fosse mais capaz de corte, então ele teria um "a-tomo". A palavra grega tomo significa "cortar", e o prefixo "a" significa "in" (incortável, indivisível). O resultado do corte de uma pedra para o seu estado sem cortes seria um átomo, ou no plural, vários átomos. Átomos modernos são tomados a partir dessa idéia antiga, mas são qualitativamente diferentes.

Demócrito era um pluralista. Para ele, havia no cosmos uma miríade de átomos diferentes. Alguns eram pequenos e suaves como rolamentos de esferas pequenas, outras eram pegajosos como um velcro, enquanto outros eram ásperos com ganchos, ou outros muito pequenos e dissipavam-se rapidamente, como perfume.


 Continuador da obra atomista de Leucipo, Demócrito de Abdera acreditava estarem os átomos em constante e violenta agitação, chocando-se constantemente uns com os outros, e transmitindo o movimento nestes choques (!). Os átomos maiores tenderiam a ficar em regiões mais baixas, constituindo a terra, enquanto os menores e mais leves constituiriam o ar. Do ponto de vista da cosmologia, os atomistas acreditavam que o espaço seria infinito, com um infinito número de mundos, produzidos por uma aglomeração de átomos que giram em vórtices ou redemoinhos, tendo esta ideia certa semelhança, portanto, com as galáxias que hoje conhecemos. Também fazia parte da doutrina de Demócrito uma crença profunda no determinismo da natureza, afirmando que ``Por necessidade estão determinadas todas as coisas que foram, são e serão''. O atomismo foi posteriormente sistematizado e continuado em Roma por Lucrécio (98-55 a.C.), em sua obra ``De Natura Rerum'' (``A Natureza das Coisas''), onde a ideia de atomismo é também aplicada para a luz e o som. Do ponto de vista filosófico, o atomismo formulado na Antiguidade deixa pouca ou nenhuma margem para a intervenção divina, sendo posteriormente considerado heresia pela Igreja Católica durante a Idade Média. 

Devemos ter em mente que as bases de nosso atomismo, na estrutura da matéria e da luz, foram fundadas, portanto, durante a antiguidade Clássica. Embora não tenham existido na antiguidade elementos experimentais para comprovar ou desmentir esta peculiar teoria sobre a estrutura da matéria, ela serviu para lançar as bases de um atomismo que voltaria a surgir na Renascença, em particular a teoria cinética dos gases de Boyle e a teoria atomista da luz proposta por Descartes e por Newton.



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Leucipo

Leucipo (século V a. C.) foi um físico e filósofo atomista da antiga Grécia. É figura um tanto obscura, da qual não se conhece as datas de nascimento ou de morte, tampouco seus locais exatos. O que se sabe ao certo é que viveu durante o século V a.C., e que seu local de nascimento seria   Abdera. 

Sobre as obras de Leucipo as informações são muito fragmentárias e mal documentadas. Escreveu um livro, cujo título é retomado por Demócrito para um seu outro texto, o que fez confundir provavelmente as informações.
Por isso mesmo, temos textos referindo-se a este mesmo filósofo como Leucipo de Abdera e Leucipo de Mileto. Contemporâneo de Empédocles, sua filosofia está ligada à mesma escola jônica naturalista de Tales, Anaximandro e Anaxímenes.
Leucipo é frequentemente citado em conjunto com o seu mais conhecido pupilo, Demócrito de Abdera, especialmente quando o assunto é o atomismo, filosofia natural que lida com a composição fundamental dos elementos, e à qual ambos se dedicaram. Segundo Aristóteles e Teofrasto, ele foi o verdadeiro criador da teoria, que depois foi desenvolvida e elaborada por Demócrito. A elaboração do atomismo marcou o último estágio da ciência grega pré-aristotélica.
Boa parte do que se conhece sobre Leucipo vem de Diógenes Laércio, em seu breve texto "Leucipo, de   de Ábdera, ". Acredita-se que ele era um grego jônico (atual Turquia ocidental) e realizou muitas viagens, adquirindo uma vasta cultura. Morou em Eléia, onde conheceu a doutrina eleática, e depois em Abdera. Teria sido discípulo de Zenão de Eleia.Por volta de 440 ou 430 a.C.


Fundou uma escola em Abdera, a qual Demócrito era seu aluno, e estava intimamente associado. Além deste, influenciou bastante o pensamento de Epicuro e Lucrécio. Parece ter falecido em Abdera.

 Leucipo rejeitava a ideia dos pitagóricos de que a Terra é esférica. Para ele, o mundo seria constituído por uma parte cheia, constituída de átomos, e outra vazia.


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Anaxágoras de Clazômenas

Anaxágoras nasceu próximo a c. 500 a.C. – falecendo em   428 a.C. – ambos locais na Ásia Menor, atual Turquia.
Nasceu na colônia Jônia de Clazômenas, cerca de 30 Km a oeste da atual cidade turca de Izmir, na Turquia. Mudou-se para Atenas por razões desconhecidas, onde trabalhando como professor trinta anos. Foi o primeiro filósofo a  fundar uma escola. Entre seus alunos, encontravam-se Péricles, Tucídides, Eurípedes e, talvez, Demócrito e Sócrates. Segundo a tradição, é ele o autor de um livro denominado Da Natureza, em prosa, do qual restam cerca de vinte fragmentos.
Conforme Anaxágoras, cada coisa surge quando vários elementos se agregam, e desaparecem quando esses se separam. Ele pensava que as coisas ou seres eram compostos com qualidades semelhantes que, ao serem divididas ao infinito, se repetiam em cada porção. A esses elementos-qualidades, que associadas geram o ser, Anaxágoras chamou de Noûs (espírito, pensamento, inteligência).
O Noûs é o princípio ou arché de todas as coisas. É ele que fornece as leis do pensamento que se sobrepõe aos sentidos para conhecer e governar o universo. É preciso entender que o pensamento está nas coisas também, não é algo separado delas. Tudo tem causa e essa é sempre natural, física, ainda que o espírito aqui seja concebido materialmente.
Nous

Por exemplo: em um fio de cabelo, por menor que seja a partícula que o divide, nela contém todos os elementos do universo. “Tudo está em tudo”, afirmou Anaxágoras. E com isso, o Noûs é a matéria, a substância que causa tanto a agregação quanto a separação dos elementos que constituem os seres.
Anaxágoras era famoso por seu espírito prático, responsável por mudanças fundamentais na matemática do século V a. C., exercendo notável influência sobre a filosofia grega, além de introduzir em Atenas as concepções desenvolvidas pelos pensadores das colônias helênicas. Defendia a ideia de que, junto à matéria, existe um princípio ordenador, uma inteligência como causa do movimento, sendo por isso considerado o primeiro dualista e saudado com entusiasmo por Platão, por sua capacidade inovadora de pensar.
Essas “coisas que existem”, as quais, compondo-se e de­compondo-se, dão origem ao nascer e ao morrer de todas as coisas, não podem ser apenas as quatro raízes de Empédocles. Com efeito, a água, o ar, a terra e o fogo estão bem longe de terem condições de explicar as inumeráveis qualidades que se manifestam nos fenô­menos. As “sementes” (spérmata) ou elementos dos quais derivam as coisas deveriam ser tantas quantas são as inumeráveis quan­tidades das coisas, precisamente “sementes com formas, cores e gostos de todo tipo”, vale dizer, infinitamente variadas. Assim, essas sementes são o originário qualitativo pensado eleaticamente, não apenas como incriado (eterno), mas também como imutável (nenhuma qualidade se transforma em outra, exatamente à medida que é originária). E esses “muitos” originários são, em suma, cada um, como Melisso pensava o Uno.
Mas essas sementes não são apenas infinitas em número tomadas em seu conjunto (infinitas qualidades), mas também infinitas quando tomadas cada uma separadamente, ou seja, são infinitas também em quantidade: não têm limites na grandeza (são inexauríveis) nem na pequenez, porque podem ser divididas ao infinito sem que a divisão chegue a um limite, ou seja, sem que se chegue ao nada (dado que o nada não existe). Assim, pode-se dividir qualquer semente que se queira (qualquer substância-qualidade) em partes sempre menores que as partes assim obtidas serão sempre da mesma qualidade, ao infinito. Precisamente por essa característica de serem-divisíveis-em-partes-que-são-sempre- iguais é que as “sementes” foram chamadas “homeomerias” (o termo aparece em Aristóteles, mas não é impossível que seja de Anaxágoras), que quer dizer “partes semelhantes”, “partes quali­tativamente iguais” (obtidas quando se divide cada uma das “sementes”).
Homeomerias

Realizou ainda um estudo original sobre o problema do conhecimento humano. Anaxágoras separou em três estágios o conhecimento:
A experiência e a sensação - a relação com o mundo desenvolve nossa sensibilidade, fazendo com que seja possível identificar as modificações dos objetos externos.
A memória - o que vivenciamos através das sensações é depositado na nossa memória, definida como a nossa capacidade de conservar as experiências e os conhecimentos adquiridos.

A técnica - o acúmulo de conhecimentos em nossa memória vai gerar a sabedoria, que por sua vez dá origem à técnica, que é a nossa capacidade de utilizar os conhecimentos para construir objetos e modificar a natureza.

Ele teria sido também o primeiro a explicar o fenômeno dos eclipses solares. 



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terça-feira, 24 de junho de 2014

Empédocles de Agrigento

Próximo ao ano de 492 a. C., na cidade de Agrigento, nasceu Empédocles, ele foi um filósofo, médico, legislador, professor, dramaturgo, político, poeta ,místico e profeta, foi defensor da democracia e sustentava a ideia de que o mundo seria constituído por quatro princípios: água, ar, fogo e terra. Ele propôs uma explicação geral do mundo, considerando todas as coisas como resultantes da fusão destes quatro princípios eternos e indestrutíveis. Tudo seria uma determinada mistura desses quatro elementos, em maior ou menor grau, e seriam o que de imutável e indestrutível existiria no mundo.
os 4 elementos

Segundo Aristóteles, fundou a oratória. Foi também fundador da primeira teoria biológica. Sua doutrina pode ser vista como uma primeira síntese filosófica.
Tanto os elementos como as forças que atuam sobre eles são divinos. Deus é o Esfero, a união de todos os elementos através do amor ou da amizade. Na fase em que o amor domina todos os elementos eles vão estar ligados em perfeita harmonia. Nessa fase não existe o sol a terra ou o mar, mas uma unidade de tudo que Empédocles denomina como sendo o Esfero. As almas também são constituídas pelos elementos e sofrem a ação das forças do amor ou da amizade e do ódio ou da discórdia. Ao contrário do domínio do amor no domínio do ódio existe a dissolução dos elementos e forma-se assim o caos. Quando o caos está instalado os elementos começam novamente a se unificar começando um novo ciclo.

Esses princípios, também chamados “raízes”, seriam eternamente subsistentes, jamais engendrados, e de sua união ou separação nasceriam e pereceriam todas as coisas. Os quatro elementos se uniriam sob a força do amor e se separariam sob o influxo do ódio.
Os mananciais e os vulcões seriam provas da existência de água e fogo no interior da Terra. Ou seja a existe uma mescla dos 4 elementos em todas as coisas.
Para que o mundo exista devem existir tanto o elemento positivos quanto o negativo, pois se existir somente o amor ou a amizade todos os elementos vão se reunir e formar uma unidade compacta, vão formar uma única coisa. E ao contrário se toda a força for do ódio ou da discórdia os elementos ficarão completamente separados, fazendo também com que o cosmos não exista.

Portanto as coisas do mundo passam a existir no período de transição que vai do predomínio do amor ao predomínio do ódio. Assim o cosmos nasce e se destrói continuamente dependente e através da ação das duas forças sobre os elementos. Não existe um momento em que a constituição do cosmos possa ser considerada perfeita.

 
Empédocles pensava que dos poros das coisas saíam emanações que atingem os nossos órgãos de sentido. Assim as partes que são semelhantes nos nossos órgãos  e nas coisas vão se reconhecer. O que for fogo em nossos sentidos vai reconhecer as emanações que vem do fogo, o que for regido pela água vai reconhecer as emanações que vem da água. Somente com nossa visão acontece o contrário, nela as emanações partem dos olhos mas da mesma forma essas emanações vão reconhecer nas coisas o que lhe for semelhante.


Para Empédocles nosso conhecimento está no coração e o veículo que transporta esse conhecimento é o sangue. O conhecimento assim não acontece somente no homem. Os conhecimentos que o homem pode ter são também limitados. Ele somente consegue perceber uma pequena parte de sua vida, as coisas que por acaso ele tem a possibilidade de se relacionar. Por isso ele não pode desperdiçar nenhuma dessas possibilidades. Deve aproveitar e utilizar todos os seus sentidos e através do intelecto perceber as evidências nas coisas que conhece.

Empédocles sustenta ainda uma teoria sobre a evolução dos seres vivos. Para ele no princípio havia numerosas partes de homens e animais - pernas, olhos, orelhas - que estavam distribuídas desordenadamente. Através do amor essas partes se juntavam  aleatoriamente formando criaturas disformes que eram inviáveis para sobreviver e pereciam. As espécies que formavam uma boa combinação sobreviviam.

Com essa visão, Empédocles inaugura a forma “pluralista” de pensar a Natureza. Isso quer dizer que vários elementos são os constituintes da realidade, não apenas um, como pensavam os primeiros filósofos.



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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Melisso de Samos

De   Melisso se conhece poucas  informações provenientes de Diógenes Laércio: "Melisso, filho de Itaigeno, de Samos, foi discípulo de Parmênides. Além disto, esteve em relações com Heráclito, ele foi um militar, político, filósofo e poeta grego, tendo sido, provavelmente, discípulo de Parmênides de Eléia (cerca de 530 a.C. – 460 a.C.). Pertenceu à Escola Eleática – Escola que se interessava em examinar comparativamente os valores do conhecimento sensível e do conhecimento racional.

Cronologicamente, Melisso está situado no final do período pré-socrático, um pouco mais velho que o mesmo Sócrates  . Não há evidência de que tenha sido discípulo de Parmênides; suas ideias, no entanto, eram fortemente embasadas nos conceitos desenvolvidos pelo eleata. Afirmava que "o ser" era infinito e de magnitude ilimitada, não tinha princípio ou fim, e não podia ser destruído, pois é impossível ao "ser" tornar-se "não ser".
  Representa Melisso uma fase mais avançada da metafísica grega, imediatamente anterior ao período socrático. Teve algum contato com a escola jônica. "O universo segundo ele (Melisso) é infinito, imutável, imóvel, uno, em tudo semelhante a si mesmo, e completamente cheio .O Vácuo não existiria.
Com uma prosa clara e procedendo com rigor dedutivo, Melisso sistematizou a doutrina eleática, ao mesmo tempo em que a corrigiu em alguns pontos. Em primeiro lugar, afirmou que o ser deve ser “infinito” (e não finito, como dizia Parmênides), porque não tem limites temporais nem espaciais e também porque, se fosse finito, deveria se limitar com um vazio e, portanto, com um não-ser, o que é impossível.
O ser é único - Eis a tese básica do eleaticismo e que reaparece em Melisso de Samos. A tese de Melisso é aproveitada pelos unicistas do ente no campo infinito, mas com um retoque por parte dos criacionistas, que admitem o mundo das coisas finitas ao lado (ou dentro) do único infinito. Mas há também os monistas que se mantém firmes com Melisso.
Melisso tratou  o uno-infinito como “incorpóreo”, não no sentido de que é imaterial, mas de que é privado de qualquer figura que determine os corpos, não podendo, portanto, ter nem mesmo a figura perfeita da esfera, como queria Parmênides. (O conceito de incorpóreo no sentido de imaterial só iria nascer com Platão.)

 Assim, o eleatismo se concluiu com a afirmação de um Ser eterno, infinito, uno, igual, imutável, imóvel, incorpóreo (em sentido impreciso) e com a explícita e categórica negação do múltiplo, negando, portanto, o direito dos fenômenos a pretenderem um reconhecimento veraz. Está claro que só um ser privilegiado (Deus) poderia ser como o eleatismo exige, mas não todo ser.
O Eleatismo  teve em Melisso o seu maior expoente. Sua teoria era bem ampla, mas não deixava por isso de ser coesa e bem argumentada.


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