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domingo, 30 de agosto de 2015

Algumas palavras que Hume são importantes


Inferência
O processo de concluir uma afirmação a partir de outras afirmações. Por exemplo, com base nas afirmações "Deus existe" e "Se Deus existe, a felicidade eterna é possível", pode-se inferir "A felicidade eterna é possível". Um ARGUMENTO é uma inferência, usada para efeitos de persuasão racional.


Indução
Geralmente usa-se este termo para falar de dois tipos diferentes de argumentos: as generalizações e as previsões. Uma generalização é um ARGUMENTO quantificacional (verQUANTIFICADOR) não dedutivo cujas premissas são menos gerais do que a conclusão. Este tipo de argumentos apresenta a seguinte FORMA LÓGICA, ou outras formas lógicas análogas: "Alguns F são G. Logo, todos os F são G". Por exemplo: "Alguns corvos são pretos; logo, todos os corvos são pretos". Uma previsão é um argumento quantificacional não dedutivo cujas premissas se baseiam no passado e cuja conclusão é um caso particular. Por exemplo: "Todos os corvos observados até hoje são pretos; logo, o corvo do João é preto". É defensável que qualquer argumento não dedutivo se baseia na indução, nomeadamente qualquer ARGUMENTO DE AUTORIDADE e ARGUMENTO POR ANALOGIA.


Cadeia causal
Sucessão de acontecimentos relacionados entre si como causa e efeito  . Por exemplo, o acontecimento de o João ter partido a janela da escola com a bola, tem a seguinte cadeia causal: o atirar da bola pelo João como causa e o partir da janela como efeito. Mas a cadeia causal não pára aqui. Por exemplo, o João pode ter atirado a bola contra a janela por se sentir frustrado com a nota de filosofia. E o que causou a sua frustração foi não ter estudado o suficiente, e assim por diante. As cadeias causais podem mesmo regredir infinitamente.

Causa e efeito
Os dois termos de uma RELAÇÃO CAUSAL. Chama-se "causa" ao que provoca algo; e "efeito" ao que é provocado. Do ponto de vista temporal, é comum pensar-se que a causa é anterior ao efeito, mas alguns fenómenos estudados na física quântica parecem desmentir esta crença. O modo como se estabelece a relação entre a causa e o efeito tem sido objecto de amplo debate entre os filósofos, especialmente a partir de HUME, no séc. XVIII. Acontecimentos, mudanças e estados (físicos ou mentais) exemplificam aquilo que pode estar causalmente relacionado: quando afirmamos "o calor dilata os metais", estamos a enunciar uma relação causal em que o aumento da temperatura é a causa e a dilatação dos metais é o efeito. Numa CADEIA CAUSAL, a causa próxima é aquela que antecede um dado efeito sem a mediação de qualquer outro acontecimento ou estado; pelo contrário, quaisquer outras causas existentes nessa cadeia são causas remotas. Se existir, a Causa Primeira é aquela que causou todas as cadeias causais sem que ela própria tivesse sido causada. Alguns teístas  identificam-na com Deus.



Fonte

www.defnarede.com

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Resumo história da ética

 A Ética Antiga foi desenvolvida, sobretudo, por Platão e Aristóteles. 

Pode-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, em três aspectos:
1) o agir em conformidade com a razão;
 2) o agir em conformidade com a Natureza e com o caráter natural de cada indivíduos;
3) a união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e política (valores da sociedade).
A ética era uma maneira de educar o sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.


A Ética Medieval , com expoentes máximos em S. Tomás de Aquino e Santo Agostinho,  define a ética a partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros.
Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino

Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade (amor). Através do cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio, sendo  que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem e o mal.

O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a  estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral.


A Ética Moderna teve como contexto as revoluções religiosas, por meio de Lutero; científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, em seu chamado Racionalismo Cartesiano - a razão é o caminho para a verdade, e para chegar a ela é preciso um discernimento, um método. 

Em oposição à fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e comparar. A formação ciência moderna com Galileu e Newton - provocam o  desenvolvimento da ética naturalista.

Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. Não podemos ser
escravos do desejo. Para isso devemos agir conforme o Imperativo Categórico, ou seja, o ato moral deve concordar com a vontade e com as leis universais que ela dá a si mesma:

Hegel
Friedrich Hegel  apresenta a perspectiva Homem - Cultura e História, sendo que a ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva individual e a vontade objetiva cultural”.


A Ética contemporânea possui duas principais correntes de pensamento.   Ética Praxista, o homem tem a capacidade de julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem possui uma consciência totalmente livre.  Por isso, a ética ganha um dimensionamento político  uma ação eticamente boa é politicamente boa, e contribui para o aumento da justiça, distribuição igualitária do poder entre os homens. 
Nietzsche

Nietzsche, por outro lado, atribui a origem dos valores éticos, não à razão, mas a emoção. Para ele, o homem forte é aquele que não reprime seus impulsos e desejos, que não se submete a moral demagógica e repressora. E para coroar essa mudança radical de conceitos, surge Freud com a descoberta do inconsciente, instância psíquica que controla o homem, burlando sua consciência para trazer à tona a sexualidade represada e que o neurotiza.  Essa seria uma ética Naturalista ou Essencialista.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Axiologia



A Axiologia é uma área da Filosofia que estuda os valores Humanos que são valores Éticos, Morais, Estéticos, Materiais, Políticos, Econômicos, Vitais, Lógicos, Religiosos, de Utilidade e assim por diante.                                                                                         
No Século XIX surgiu a Axiologia como disciplina filosófica, desde então o termo “Valor” vem sendo discutido sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, pois os valores estão relacionados a todas as nossas ações.                                                        
Valor é o que dá dignidade ao ser. Filosoficamente Valor é a interpretação introduzida por nós nas coisas, nas relações entre os homens e destes com o mundo. O valor então, com base no que é, orienta o que deve ser, isso é, orienta o juízo das escolhas humanas. Para simplificar podemos entender o Valor como  um princípio geral e universal que serve de guia para o agir e pensar do homem no mundo.
O valor está presente no homem, nas atividades humanas e no mundo humano, é o princípio norteador das escolhas humanas (os fins), o desejável, o preferível. É guia, norma das escolhas, por isso carece da consciência e da liberdade, porque só o sujeito consciente e livre é capaz de fazer escolhas. Escolhas sempre temerárias, mas necessárias.                                                                                                                
Os valores são herdados, transferidos através da nossa família, passados de geração em geração, também adquirimos valores através do convívio, do contato com outras pessoas, de outras sociedades.                    
                                                          
  Estamos sempre fazendo Juízo de Valores, isso é, estamos sempre julgando através do parâmetro que nós temos, que nós herdamos através da nossa família, nossa cultura e sendo assim julgamos os valores dos outros, se está certo ou errado, se é bom ou ruim, etc. Existem quatro tipos de valores relacionados a sua natureza (Origem): Subjetivos (Pessoal, valor de um só indivíduo) ou Universais (Geral, valor da sociedade) e Relativos (Aplica-se a uma situação) ou Absoluto (Aplica-se a todas as situações).    

 Os valores se organizam na seguinte escala de importância:                      
 ÉTICO é o juízo sobre o bem e o mal, diz daquilo que é Vital (Vida).             
 MORAL é a ação normativa do comportamento, costumes, hábitos, normas e leis. Diz do Convívio Humano em sociedade.                        
 MATERIAL é o juízo sobre o que é necessário para a sobrevivência humana.
RELIGIOSO é o juízo  sobre o que é bom para o espírito e diz das coisas da alma.    
ESTÉTICO, que opera um  juízo  sobre o belo e o feio e diz das coisas do mundo sensível, da Natureza.          
De UTILIDADE se refere ao juízo do que é melhor e pior e diz das coisas e dos objetos.                                                                                                                POLÍTICOS são Justiça, Igualdade, Imparcialidade, Cidadania, Liberdade.

                                                                                 


Principais Representantes

No Século XIX os filósofos Rudolf Lotze (1817-1881), Franz Brentano (1838-1917), Max Scheler (1874-1928) e Friederich Nietzsche (1844-1900) desenvolveram e propuseram a “Transvaloração dos Valores”, pela qual indaga sobre o “Valor dos Valores”, concluindo que os valores tais como são conhecidos, não existiram desde sempre, mas foram criados e incorporados pelo hábito e, na nossa civilização ocidental, impostos pela tradição cristã, que Friederich Nietzsche critica acerbamente.

Max Scheler (1874-1928): Os valores são objetivos e dispostos em ordem eterna o que torna possível hierarquiza-los. Deste modo, juízo (faculdade de julgar de avaliar, faculdade de pensar o particular como inserido no geral), é então, um julgamento crítico sobre as escolhas humanas, uma reflexão propositiva das relações existentes entre meios e fins de nossa ação no mundo.

García Morente (1886-1942): Os valores não são, no sentido em que dizemos que as coisas são: “Os valores não são, mas valem. Uma coisa é valor e outra coisa é ser. Quando dizemos de algo que vale, não dizemos nada do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não indiferença constitui esta variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. A não indiferença é a essência do valer”. Portanto, não permanecemos indiferentes dos seres que constituem o nosso mundo familiar ou aquele que nos é estranho, aos quais atribuímos valores Bipolarizados.

Fontes

www.filosofiapopular.com

www.debatesculturais.com


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ética em Kant



Immanuel Kant desenvolve a filosofia moral em três obras: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Julgamento (1790).

Kant em  “Crítica da Razão Pura” separa a ciência da ação. O conhecimento se constrói a partir do fenômeno que alia a intuição sensível ao conceito do intelecto.
Portanto, o uso da razão pura não tem utilidade teórica em Kant, mas apenas o seu uso prático, donde o seu livro “Crítica da Razão Prática”.

Assim como a primeira Crítica estabeleceu criticamente os princípios sintéticos a priori da razão teórica, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes(1785) estabelece criticamente os princípios sintéticos a priori da razão prática.

Na moral, o ponto de partida de Kant é o de que o único bem irrestrito é uma vontade boa. Talento, carácter, autodomínio e fortuna podem ser usados para alcançar maus fins; até mesmo a felicidade pode corromper. O que constitui o bem de uma vontade boa não é o que esta alcança; a vontade boa é um bem em si e por si.



O IMPERATIVO CATEGÓRICO

O famoso axioma de Kant é claro em sua definição.
"Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal".

O IMPERATIVO CATEGÓRICO, EM TERMOS GERAIS, É UMA OBRIGAÇÃO INCONDICIONAL, OU UMA OBRIGAÇÃO QUE TEMOS INDEPENDENTEMENTE DA NOSSA VONTADE OU DESEJOS

As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico. O imperativo categórico pode ser formulado em três formas, que ele acreditava serem mais ou menos equivalentes .

§ A primeira formulação (a fórmula da lei universal) diz: "Age somente em concordância com aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo querer que ela venha a se tornar uma lei universal".

§ A segunda fórmula (a fórmula da humanidade) diz: "Age por forma a que uses a humanidade, quer na tua pessoa como de qualquer outra, sempre ao mesmo tempo como fim, nunca meramente como meio".

§ A segunda fórmula  Legislador Universal "Age de tal maneira que tua vontade possa encarar a si mesma, ao mesmo tempo, como um legislador universal através de suas máximas." 



Fundamentação da Metafísica dos Costumes

Na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant divide os três capítulos de acordo com o método utilizado.  
A Primeira Seção – Transição do conhecimento racional comum para o conhecimento filosófico – tem como objeto o conhecimento moral comum, isto é, o conceito de dever.
 A Segunda Seção -Transição da filosofia moral popular à metafísica dos costumes- retraça o conceito de dever em seu fundamento a priori. Apesar das duas seções abarcarem o mesmo conceito, há uma diferença entre ambas devido ao percurso argumentativo.

No Prefácio da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant lança algumas indicações que se referem aos procedimentos de análise utilizados na obra.

A primeira indicação diz do ponto de partida de sua investigação, que é o conhecimento moral comum – identificado ao conceito de dever.

A segunda indicação diz do objetivo geral da obra, que é buscar e estabelecer o princípio supremo da moralidade.
A terceira indicação diz do método seguido pelo autor: ascender analiticamente do conhecimento moral comum ao seu princípio, para depois voltar sinteticamente do princípio supremo da moralidade ao conhecimento comum.
A quarta indicação é a divisão da obra – obtida através da aplicação desse método.


O conhecimento racional comum é tomado como o ponto de partida da filosofia moral. Este conhecimento racional comum pode ser identificado ao “conceito dado” – isto é, uma compreensão pré-filosófica – de moralidade.   Presume-se, pois, que deva haver algo em comum entre esses diferentes códigos morais para que todas as concepções possam ser tomadas como concepções morais. Por isso Kant visa determinar qual é o significado básico do predicado “moral”. No Prefácio, “conhecimento moral comum” e a “ideia comum do dever e das leis morais” são identificados.

A segunda indicação acerca do procedimento realizado por Kant é a caracterização do objetivo da obra como buscar e estabelecer o princípio supremo da moralidade. Este princípio pode ser denominado “supremo” por regular o uso do conceito de moralidade em geral. Assim, o princípio se sobrepõe aos princípios morais particulares.  

A terceira indicação que Kant fornece acerca do procedimento realizado é sobre o método seguido na obra: “o método consiste em ascender analiticamente do conhecimento moral comum (que se exprime nos juízos morais particulares) ao seu princípio (portanto ao princípio dos juízos morais comuns), para retornar em seguida sinteticamente desse princípio ao conhecimento moral comum (isto é, aos juízos morais que se pautam por esse princípio)”
 Kant utiliza-se de dois métodos: o método analítico – procede de modo regressivo por ir do conhecimento moral comum até a determinação do princípio desse saber – e o método sintético – o qual parte do saber filosófico para aplicar o princípio aos casos particulares. Deve-se ter em mente que o método analítico é utilizado nas duas primeiras seções da obra, enquanto o método sintético é utilizado na última seção.
No caso do método analítico, como aquele que parte do que é procurado como se fosse dado e que ascende de modo que alcança as condições sob as quais o que é procurado se faz possível, supõe-se que a existência dos juízos sintéticos a priori é dada. As condições que possibilitam esses juízos – até as quais se ascende de modo regressivo – são: a forma espaço-temporal das intuições sensíveis e a forma categorial dos conceitos dos objetos em geral.
O método sintético é de suma importância para o método analítico, já que para que este seja considerado um método que prova a possibilidade do juízo sintético a priori – o que se busca – faz-se necessário que as condições já tenham sido estabelecidas. Estas condições só são estabelecidas através do método sintético – ou progressivo.
Fica mais clara a aplicação de ambos os métodos na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, pois nela supõe-se como dado a possibilidade de se fazer juízos morais de acordo com o conhecimento moral comum. Ao partir dos juízos morais que são pensados de acordo com a compreensão comum do conceito de moralidade, pode-se ascender (se a análise for correta) ao princípio que embasa esses juízos morais.


Divisão da obra

Quanto à divisão da obra, Kant afirma que é resultado da aplicação de seu método analítico-sintético. A aplicação do método sintético faz-se necessária para estabelecer o princípio supremo dos juízos comuns e este é o objetivo principal da obra. Todavia, esse objetivo requer um exame crítico e uma prova da validade deste princípio. A aplicação deste método sintético centra-se mais na Terceira Seção da obra, na qual se dá a passagem para a crítica da razão pura prática.

Todavia, antes de aplicar o método sintético para chegar à dedução do princípio fundamental dos juízos morais, Kant desdobra sua exposição do conceito dado de moralidade em duas partes: a primeira parte visa explicar conceitualmente o princípio que está subjacente à aplicação do conceito de moralidade embasando-se na compreensão pré-filosófica deste conceito; a segunda parte é composta pelas respostas às oposições filosóficas possíveis quanto à análise feita. Isto aponta para mais uma diferença entre a Primeira e Segunda Seções.
O título da Segunda Seção Transição da filosofia popular à metafísica moral, diz da filosofia popular como exemplos das objeções que outros filósofos poderiam fazer à análise de Kant acerca do conceito dado de moralidade. Essas oposições associam-se à noção da natureza da vontade humana como dependente de estímulos sensíveis, a qual é contrária ao princípio prático puro kantiano afirmado como subjacente aos juízos morais comuns.

Como ponto de partida dessa retomada são objeções levantadas por contemporâneos de Kant, representantes da chamada “filosofia popular”, e como ela resulta numa exposição que se pode chamar de metafísica, do princípio a priori que subjaz aos juízos morais em geral, é compreensível que Kant tenha caracterizado a segunda parte da Fundamentação como uma transição da “filosofia popular” à “metafísica moral”

Como já foi exposto, o ponto de partida da argumentação kantiana é o conhecimento moral comum – que pode ser identificado à compreensão do conceito dado de moralidade. Todavia, como expõe Almeida, o que constitui efetivamente o ponto de partida da Primeira Seção é o conceito de boa vontade – que designa a vontade moralmente boa, irrestritamente boa.

O que é moralmente bom, por sua vez, precisa ser definido como algo que é bom sem depender de qualquer condição subjetiva particular. Esta definição pode ser atribuída a todo sujeito capaz de julgar o que é bom e capaz de fazer a distinção entre o moralmente bom, útil e agradável.
A Primeira Seção abarca a passagem do conhecimento racional comum acerca da moralidade ao conhecimento filosófico. Kant tem como objetivo delimitar o princípio supremo da moralidade através de análise, de modo que fique exposto como esse princípio supremo se apresenta em toda consciência humana.
Destarte, dado que o ponto de partida da Primeira Seção é a suposição de que somente a vontade moralmente boa pode ser considerada irrestritamente boa, Kant visa estabelecer, de modo regressivo, a condição conforme a qual a vontade é moralmente boa, ou seja, o princípio que quando cumprido, assegura a moralidade das ações do homem. Três proposições embasam a derivação desse princípio. Estas proposições são derivadas do conceito do que é moralmente bom e da consideração de que quando a vontade é afetada por inclinações, não se faz suficiente saber que algo é bom para fazer, posto que o que é moralmente bom é considerado como um dever.
A primeira proposição expõe que ter uma boa vontade significa agir por dever, não por inclinação. A segunda proposição afirma que o que confere valor moral à ação é o princípio de agir por dever – agir sem visar as consequências ou os fins- é a intenção. A terceira proposição afirma que o dever é uma ação necessária por respeito à lei moral. Dessas proposições chega-se ao Imperativo Categórico: “agir de tal maneira que eu possa querer que a máxima de minha ação se torne uma lei universal” (KANT, 1962, p. 62).

 A "moralidade, e a humanidade enquanto capaz de moralidade, são as únicas coisas que têm dignidade. A destreza e a diligência no trabalho têm um preço venal; a argúcia de espírito, a imaginação viva e as fantasias têm um preço de sentimento; pelo contrário, a lealdade nas promessas, o bem querer fundado em princípios (e não no instinto) têm um valor intrínseco."


Esta é em essência a ética de Kant.


Fonte
www.psicologiamsn.com
www.brasilescola.com
criticanarede.com

afilosofiadaintegracao.blogspot.com.br

A Ética



A ética é uma das três grandes áreas da filosofia. As outras são a Epistemologia – que estuda o que , como e a forma com o aprendemos   e a Estética, ou filosofia da arte que lida com o senso de beleza nas  manifestações artísticas e naturais.

A Ética estuda  sobre o "valor"  das ações, ou seja a práxis - o estudo sobre a ação engloba a totalidade do saber e da cultura humana. Engloba os conceitos de dever e direito, certo e errado, moral e imoral. Está presente no nosso cotidiano o tempo todo, seja nas decisões familiares, políticas, ou no trabalho por exemplo.

  A palavra ética tem origem no termo grego ethos, que significava "bom costume", "costume superior", ou "portador de caráter". Em Roma o termo grego foi traduzido como "mor-morus" que também significava "costume mor" ou "costume superior". É dessa tradução latina que surge a palavra "moral" em português. O termo ética abrange o estudo dos discursos morais, bem como os critérios de escolha para valorar e padronizar as condutas numa família, empresa ou sociedade.

  A definição da  práxis ética, moral, correta ou virtuosa é alvo de pontos de vista totalmente diversos. Teólogos, Marxistas, liberais, mulçumanos, psicanalistas, jornalistas e políticos se posicionam de diversas maneiras.

A filosofia sobre isto tem muito a dizer. Vamos analisar alguns pontos de vista em nossos próximos posts.  

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A priori e a posteriori


A priori (do latim, "de antes" ou "do anterior") e a posteriori (do latim, "do seguinte" ou "do depois") são expressões filosóficas para distinguir dois tipos de conhecimento ou argumento. Os termos a priori e a posteriori são usadas principalmente como adjectivo s para modificar o substantivo "conhecimento", ou serem substantivos compostos que se referem a um tipo de conhecimento (por exemplo,conhecimento a priori). No entanto, "a priori" às vezes é usado como um adjetivo para modificar outros substantivos, como "verdade". Além disso, muitas vezes os filósofos modificam este uso. Por exemplo, "aprioridade" e "aprioricidade" são por vezes utilizados como substantivos para referir (aproximadamente) para a qualidade de ser "a priori".

A priori
A priori é o conhecimento ou justificação independente da experiência (por exemplo, "Todos os solteiros não são casados​​"). Galen Strawson afirmou que um argumento a priori é aquele em que "você pode ver que é verdadeiro apenas deitado em seu sofá. Você não tem que se levantar do seu sofá e sair para examinar a forma como as coisas no mundo físico são. Você não tem que fazer qualquer ciência.".;
A posteriori
A posteriori conhecimento ou justificação dependente de experiência ou evidência empírica5 (por exemplo, "Alguns solteiros são muito infelizes").
O filósofo do século XIII Tomás de Aquino, na Summa Theologica, escreveu: "A demonstração pode ser feita de duas maneiras: uma é através da causa, é chamada de "a priori", é argumentar apenas sobre o que está antes. A outra maneira é através do efeito, e é chamada de demonstração "a posteriori"; é argumentar a partir do que é anterior relativamente apenas a nós. Quando um efeito é mais conhecido para nós do que sua causa, a partir do efeito passamos ao conhecimento da causa. Assim todos os efeitos da existência e sua causa podem ser demonstrados, desde que os seus efeitos são mais conhecidos para nós, porque uma vez que cada efeito depende de sua causa, se o efeito existe, a causa deve preexistir".

Alberto da Saxônia, um lógico do século 14, escreveu sobre conhecimento a priori e a posteriori. George Berkeley,o filósofo irlandês esboçou a distinção em seu Tratado sobre os princípios do conhecimento humano, de 1710, embora os termos já fossem bem conhecidos nesta época.

Relação com o necessário/contingente
A noção de a priori é uma noção epistêmica, que caracteriza o modo como uma proposição é conhecida, o de ser conhecida independentemente da experiência. Ao introduzir a noção de conhecimento a priori, Immanuel Kant equacionou-a com a de necessidade estabelecendo a seguinte equivalência: uma proposição é conhecível a priori se, e somente se, for necessária. Foi preciso esperar por Saul Kripke, alguém que questionou tal conexão. Essa conexão foi praticamente refutada no clássico "Naming and Necessity", 1972. Contudo, ainda permanecem alguns resistentes. Mesmo que não aceitemos os argumentos de Kripke, também não se pode admitir a conexão sem argumentos, como até então se fazia. Em primeiro lugar, é preciso notar que a distinção entre conhecimento a priori e a posteriori é uma distinção epistémica acerca de modos de conhecer, ao passo que a distinção entre necessário e contingente é uma distinção metafísica acerca de tipos de verdade.

Em Kant, são a priori, ou seja, universais e necessárias, as formas ou intuições puras da sensibilidade (espaço e tempo), as categorias do entendimento e as ideias da razão. Claude Bernard afirma que ideia a priori é aquela que se apresenta sob a forma de uma hipótese cujas consequencias devem ser submetidas ao critério experimental.Após Kant, alguns filósofos têm considerado a relação entre "aprioricidade", analiticidade e necessidade de serem muito próxima. De acordo com Jerry Fodor, "o Positivismo, em particular, tinha como certo que verdades a priori devem ser necessárias..."No entanto, desde Kant, a distinção entre as proposições sintéticas e analíticas tinham se alterado ligeiramente. As proposições analíticas foram amplamente consideradas como sendo "verdadeiras em virtude de significados e independentemente do fato", enquanto proposições sintéticas não, deve-se realizar algum tipo de investigação empírica, olhando para o mundo, para determinar os valores-verdade de proposições sintéticas.

As definições desses termos por Kripke, no entanto, divergem de forma sutil daquelas de Kant. Levando em conta essas diferenças, a análise controversa de Kripke de nomear como contingente e a priori melhor se encaixam no quadro epistemológico de Kant, chamando-a "analítica a posteriori".

Assim, a relação entre "aprioricidade", a necessidade e analiticidade não são fácil de se compreender. No entanto, a maioria dos filósofos, pelo menos, parecem concordar que, embora as várias distinções podem se sobrepor, as noções claramente não são idênticas: a distinção a priori/a posteriori é epistemológica, a distinção analítica/sintética é linguística e a distinção necessário/contingente é metafísica.


A justificação a priori repousa em intuições racionais, ou idéias, mas há uma variedade de pontos de vista sobre a natureza dessas intuições ou insights. Há também muitas objeções à idéia de que intuições racionais fornecem qualquer tipo de justificação. Racionalistas pensam que pode haver um conhecimento a priori do mundo, enquanto empiristas negam isso. 

Bibliografia
Immanuel Kant. Prolegômenos a Toda a Metafísica Futura.  Almedina Brasil - Edições 70, 2008

Immanuel Kant. Crítica da razão pura.  Ed. Vozes, 2012

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Filosofia Medieval - Patrística

 A separação entre judaísmo e  cristianismo leva  à formação de um novo período na história da filosofia.


A filosofia Patrística é o nome dado à filosofia cristã dos primeiros sete séculos, elaborada pelos Pais da Igreja, os primeiros teóricos, e consiste na elaboração doutrinal das verdades de fé do Cristianismo e na sua defesa contra os ataques dos "pagãos" e contra as heresias.
Durante os séculos I ao IX, a influência dos primeiros padres cristãos na cultura Ocidental foi das mais intensas. Inicialmente, lutam para disseminar o cristianismo enquanto religião, explicando seus dogmas fundamentais à população em geral. Nesse momento, muitas vezes, recorrem à filosofia, como forma de converter os pagãos, acostumados às reflexões racionais. O conjunto de pensamentos desses padres, um tanto heterogêneo, recebeu o nome de Patrística.
Quando o Cristianismo, para defender-se de ataques polêmicos, teve de esclarecer os próprios pressupostos, apresentou-se como a expressão terminada da verdade que a filosofia grega havia buscado, mas não tinha sido capaz de encontrar plenamente, enquanto a Verdade mesma não tinha ainda se manifestado aos homens, ou seja, enquanto o próprio Deus não havia ainda encarnado.
De um lado, se procura interpretar o Cristianismo mediante conceitos tomados da filosofia grega, do outro reporta-se ao significado que esta última dá ao Cristianismo. Os primeiros pensadores cristãos, ao mesmo tempo em que se valeram, também se debateram com os filósofos, quer com Platão e com Aristóteles, quer, sobretudo, com os estóicos e com os epicureus. Sem perder de vista os ideais da doutrina cristã, eles buscaram encontrar, frente à filosofia e aos filósofos, o lugar apropriado da reflexão filosófica e do pensar cristão.

Apesar do propósito comum, havia duas   tendências contrárias: a dos padres da Igreja Ocidental, que   combatiam a religião pagã e a dos clérigos do Oriente, que   propunham uma harmonização entre o pensamento grego e a religião   cristã.

 Foram vários autores que se ocuparam dessa tarefa: Justino, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Nazianzo, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa.

A Patrística divide-se geralmente em três períodos:


1º- Até o ano 200 - Defesa do Cristianismo contra seus adversários (padres apologistas, como São Justino Mártir.

2º - até o ano 450 época dos primeiros grandes sistemas de filosofia cristã (Santo Agostinho, o expoente máximo da patrística).

3º - até o século VIII reelaboram-se as doutrinas já formuladas e de cunho original (Boécio).


Esta divisão da Literatura Patrística em três períodos é geralmente feita, mais didaticamente, da seguinte forma:


Período Ante-Niceno - corresponde ao período anterior ao Concílio Ecumênico de Nicéia (324 d.C). Geralmente compreende os escritos surgidos entre o século I e início do IV século.

Período Niceno - corresponde ao período entre os anos anteriores até alguns imediatamente posteriores ao Concílio Ecumênico de Nicéia (324 d.C). Geralmente compreende os escritos surgidos entre o início do IV século até o final deste.

Período Pós-Niceno - corresponde ao período compreendido entre os V e VIII séculos.

 O mais proeminente filósofo da Patrística sem dúvida é Agostinho de Hipona.


Fontes
urs.bira.nom.br
www.portaleducacao.com.br
rrsantana.blogspot.com.br
filosofiadodireito.info

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pré-socráticos


Entre os séculos 6 e 7 antes da era cristã,  ideias filosóficas plenamente articuladas e sistemas de pensamento começaram a aparecer em vários lugares esparsos do globo.
Em torno do Mediterrâneo e no Oriente Médio, na Índia e na China, surgiram filósofos, grandes filósofos cujas ideias iriam estabelecer os termos da filosofia em suas várias tradições por milênios no futuro. No Oriente Médio, os antigos hebreus desenvolveram sua concepção de um Deus uno. Na China, os taoístas desenvolveram uma visão muito diferente da natureza, enquanto Confúcio criava uma poderosa concepção da sociedade e do indivíduo virtuoso que rege o pensamento chinês até hoje.
Na Índia antiga, os primeiros teóricos hindus (os vedistas) comentavam a origem da natureza e do mundo, tal como descrita nos Vedas, e especulavam sobre ela, criando um rico panteão de deuses, deusas e ideias grandiosas.
O pensamento filosófico surge na Grécia, por volta do século VI a.C., quando surgem as primeiras tentativas de explicação natural (e não sobrenatural) para os fenômenos da natureza. De fato, isso foi uma coisa nova e um dos momentos essenciais ao desenvolvimento humano, que deram um enorme impulso ao nosso conhecimento. Na Grécia, filósofos elaboraram as primeiras teorias científicas da natureza.

Os primeiros filósofos gregos
 Os primeiros filósofos gregos tentaram entender o mundo com o uso da razão, sem recorrer à religião, à revelação, à autoridade ou à tradição. Além disso, também eram professores que ensinavam seus discípulos a usar a razão e a pensar por si mesmos. Eles os encorajavam a discutir, argumentar, debater e propor ideias próprias.
Tendo vivido entre o século 6 a.C e princípios do século 5 a.C., esses filósofos mais antigos, dos quais poucos conhecimentos foram conservados através dos tempos, são chamados de pré-socráticos, por que antecederam Sócrates, o primeiro filósofo cujo método de pensar, bastante sistemático, foi efetivamente preservado para a posteridade.
Não se pode, porém, deixar de examinar, ainda que brevemente, o pensamento dos pré-socráticos. Ainda que só nos restem fragmentos de suas ideias, elas são surpreendentes. E não só por constituírem uma grande novidade para a época em que elas foram formuladas, mas também porque muitas delas ou conservam grande atualidade ou encontraram ressonância em filósofos de milênios posteriores, inclusive nossos contemporâneos.
Existiram divisões no Período Pré-Socrático da filosofia Grega.
A Escola Jônica 
A Escola Eleática



Tales de Mileto
Anaximandro
Anaxímenes

Heráclito
Pitágoras
Parmênides
Xenófanes de Colófon                       


Zenão de Eléia

Empédocles

Anaxágoras

Melisso


Leucipo
Demócrito

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